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MESTRE ENTRE NÓS - CRIANÇA E NÚMEROS
O mestre e a criança curiosa por matemática


Certo dia o mestre se encontrava no escritório onde ainda respondia por algumas causas judiciais que era advogado, quando veio uma cliente, uma senhora  com  filho pequeno,  com sete anos, curioso ao investigar a biblioteca. Esta encontrou um livro  pequeno que chamou de livro de matemática, quando era um livro de Martinès de Pasqualy (Aritmosofia). O mestre assim ficou falando as crianças sobre a divindade do número e a sua relação com a Criação:
 O tio gosta de matemática?
 Gosto sim, mas da matemática de Deus, do Grande Geômetra de tudo. Você sabe contar até dez?
 Eu sei.
 Então você conhece todas as coisas, conhece o tetraktis e a tétrada sagrada, nome do Altíssimo. Por isso o nome de Deus se escreve com quatro letras. Você assim conhece a unidade que tem dentro dela todos os números.
 Você sabe contar até quanto?
 Eu sei contar até o infinito, pois todo o número é infinito, não há diferença. De qualquer forma eu só sei contar até nove.
 Você que já adulto e grande, como apenas sabe contar só até nove?
 O que acontece após o número nove?
 Vêm o onze, o doze, o treze e os outros.
 E se somar?
 Sei lá?
 Somando dez, ou o um mais o zero, se tem o um de novo, se somar o onze, uma mais um resulta em dois, o treze é igual a quatro e assim por diante, nada é mais que nove.
 Que legal!
 E o que você acha do número três, o ternário?
 Ter o quê?
 É o três que é ao mesmo tempo o um, um retorno a origem, a Deus, a Unidade. Antes vêm o binário, o dois que é o afastamento do divino, a matéria, vem o três que é o retorno a esse aspecto, um triângulo sagrado.
 Você sabe mais matemática que eu. O tio tem mais livros que falem de números?
 Tenho um sobre Pitágoras e outro de Saint Martin. Pitágoras foi o grande fundador dessa sabedoria dos números, da divindade e mesmo da numerologia. Sabe que toda a pessoa é um número e sua missão nesse mundo também é um número, que e seu nome e data de nascimento revelam sua natureza mais íntima?
 Continue falando um pouco dos outros números.
 Vamos então ao 4, a tétrada. Temos quatro elementos, o ar, água, fogo e terra. Temos quatro pontos cardeais, o norte, sul, leste e oeste. Temos quatro arcanjos, Miguel, Rafael, Uriel e Gabriel. O nome de Deus se escreve com quatro letras em várias línguas. Lembra de quando falei de Deus ser um e ao mesmo tempo dez, pois dez é um retorno pela soma. Também o 4 é dez.
 Eu tenho um anjo no meu quarto, com as asinhas brilhantes, junto aos meus brinquedos. Mas como meus quatro dedinhos podem ser iguais a dez?
 Simples, você sabe somar?
 Sei somar e subtrair, um pouco multiplicar. (sua mãe sorriu orgulhosa)
 Soma então 4+3+2+1...
 Deixa eu colocar no papel e fazer... que legal! Deu 10. Oi tio ensina mais coisas pra gente? (a mãe dele ficou conversando com a mãe do mestre).
 A tua mãe sabe contar entes de pensar em contar.
 Ah, ah... como assim?
 É o número cinco, uma estrela.
 E o que tem a ver a estrela com isso?
 Ela tem cinco pontas. É o que os antigos chamavam de pentagrama, representando o poder mágico. Também é uma referência a Jesus. É o espírito que domina a matéria, o um que está acima do quatro, o intelecto que domina os instintos. Nós temos cinco sentidos. O cinco dá a vitória, a liberdade, é o soldado, o guerreiro, Marte ou Ares.
 A mãe disse que existem homens maus que gostam de guerra. Eu não entendo, por quê?
 Quisera todos serem puros que nem você, como a fonte límpida de um riacho cristalino. Mas que semeia a diferença, a inveja, o racismo, o machismo, a competição, a maldade, esses já semeiam a guerra.
 Vamos falar de mais números.
 O seis é legal. Ele representa a família, a união das pessoas. Em seis períodos ou dias Deus criou todas as coisas. União do fogo e da água. Uma outra estrela, o hexagrama. O universo.
 Essa estrela é mais retinha. Nunca pensei que matemática poderia ser tanta coisa. Eu só sei contar com os dedos.
 Logo você saberá contar de cabeça. Sabe que todo o número é nove?
 Como? Lá vem você com mais um truque!
 Sabe que multiplicando qualquer numero com nove e depois o reduzindo, ele resulta em nove. Assim 2x9=18=1+8=9. Assim 3x9=27=9. Assim 4x9=36=9. Assim 5x9=45=9 e assim por diante.
 Que legal. Eu agora vou primeiro aprender bem a tabuada para fazer esse jogo que você ensinou.
 Voltemos aos nossos números. Agora vem o 7, o mais sagrado, que é união do 3 e do 4. Há várias referências, como 7 planetas, 7 pecados, 7 selos do Apocalipse e tantas outras. O número 7 se refere a espiritualidade e ao isolamento para o aprendizado, a reflexão. Eu tenho 777 solidões, sou o rei das reflexões.
 O que é Apocalipse?
 É um livro da Bíblia, que poderia ser traduzido para revelação, algo sobre os mistérios do mundo e seu fim. Para mim, é sobre o fim de cada um, seja para a sua vida eterna ou morte ilusória. As chaves dos símbolos desse livro para mim são cabalísticas, nada além. Quando ficar mais velho o tio explica isso.
 Minha mãe disse que se eu rezar, estarei com meu anjo da guarda e não morrerei.
 Os anjos não morrem e você certamente não morrerá.
 Você sabe para onde foi minha mãe?
 Ela já volta, foi falar com uma pessoa que lhe deve dinheiro. A minha mãe lhe dá um lanche logo.
 E qual falta... o oito, o que tem ele de especial?
 O 8 é a prosperidade e o poder. Deitado simboliza o infinito e é o que conseguimos na vida. Também o Cristo e o Espírito Santo se referem ao oito.
 Vamos ao último número, que já falamos naquele truque seu.
 O nove é o fundamento, é o que segura as coisas. É a família maior, a relação que temos com as pessoas fora de casa, é a fraternidade entre odas as pessoas. Tudo é nove, como já te demonstrei naquele truque. É a chama que nasce e ascende até o céu.

A mãe da criança assim chegou, levando esta  consigo livros que tratam de números, e melhor, de Deus. Assim as ideias perfeitas se aproximam dos números e das crianças, que não duvidam da sua fé. Deus está por toda a parte e sempre haverá a Sua presença em tudo. Se formos como uma criança, livres e ingênuos no coração, certamente poderemos contemplar e aproveitar a sabedoria divina e a sua proteção. Assim a luz de alguma forma caminha pelas dez emanações, perdendo-se no abismo do 11. tanto a unidade que parece estar em tudo, assim como a trindade que também se reflete em tudo pela lei do triângulo, fazem com que o eterno seja uma certeza, como a divindade numérica. Assim, com dez pontos podemos pensar um triângulo perfeito, o tetraktis dos pitagóricos, bem como imaginarmos a árvore da vida cabalística, com suas esferas. São sistemas para representar o universo e o homem, os quais ainda pouco compreendemos.
(Do livro Um mestre entre nós, à venda em www.agbook.com.br)
Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 02/04/2013


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