Textos

Sou lesma bêbada em trilho de trem enferrujado
Sou lesma bêbada em trilho de trem enferrujado


Cão
Hoje mais uma vez de coração sem ação
Ação sem coração
Vendo de olhos vendados os sonhos alheios
Aliança e fiança paga
Lança que me atravessa
Avessa, essa mesmo
Com sangue do coração
Bato a porta que não abre
Cofre, sou prisioneiro
Sofre, uso e sou, sou e uso
Jaula de sentimentos
Sereno de lágrimas, nevoeiro
Dela, lá de rede social
S.O.S e nós a sós
Não ela, mas eu e ser do abismo
Esse é meu anel, não casamento
Sou cimento, minto, tossi ao falar
Sem lar, sem sonho
Sono, lama, mala que sou
Ouvindo guns
E bombas em minhas rosas
Bombons salgados, páscoa que passa
Coelho bêbado de Alice
Gato de parede
Sou gato cimentado, dou azar
Erva ruim, mentado
Mentindo, metido
Lembro da melancolia
Não era loira
Cavalo morto
Vala que cavo
Abismo, tenho aliança
Sou senhor dos anéis
Anão, gigante, a não, nada disso
Casamento de fadas
Velório dos meus sonhos
Caixão de alegria
Deito-me observando
Parabéns atores do mundo!
Sou mudo, sou melhor
Lesma em trilho de trem enferrujado
Mala e meu lema, hino de fantasma
Punhal em meu joelho
Passos que não passam
Game deletado
Mega game, mega game
Devagar, cheguei tarde
Sou lesma, esse meu lema
Lesma de coroa das virtudes
Roa os dedos
Corpo mole, arrastando
O chão é meu mapa
Palmada da terra
Filme que trava
Traque, traque
Que trava, que trava
Lesma caolha, pirata de corrida
Sentimento de robô
Esse meu sentido, intenso
Sentido intenso
Lesmando em trilho sem saída
Trilho sobre ondas do mar
Esse foi meu sonho
Velório dos sonhos
Caixão para lesma
Quero cremar meu poema
Aqui faço fogo fofo
Tusso na fumaça que sou
Lesma fumando
Sou lesma bêbada em trilho enferrujado
Vejo o mundo que se contenta
Mudo de mundo, fico mudo
Sou animal mole e lento
Um dia chego

Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 08/04/2013


Comentários