Mariano Soltys
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PARÁBOLAS DE JESUS SOB PONTO DE VISTA MÍSTICO E O HINO DA PÉROLA

 

 

 

E disse outra vez: A que compararei o reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar toda ela levedada”. (Luc. 13:20)

 

Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos” (Luc. 15: 11)

 

Outrossim, o reino dos céus é semelhante a um negociante que buscava boas pérolas; e encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e a comprou”. (Mat. 13:45)

 

O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles, e ganhou outros cinco; da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois; mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor”. (Mat. 25:14)

 

 

Vimos já alguma coisa a respeito da parábola da semente de mostarda e outras relacionadas. Também percebemos que eles falam na maioria do Reino, e que assim nos dão o caminho de saberes elevados místicos de Jesus, e que aos discípulos ele falava sem parábolas. Era assim um código da iniciação cristã para se manter esse elevado saber longe de homens de má-fé, ou dos “cães”, “porcos” etc. Aqui veremos que há mais ensinamentos e que há uma tradição oral por trás desses conhecimentos, o que em muito foi já descoberto nos manuscritos do Mar Morto, e nos evangelhos lá encontrados. Também a tradição oral está em ordens monásticas e de cavalaria, e ainda em ensinamentos como o da cabala e o da gnose, que foram tratados de heréticos, por questão política.

Comecemos pela parábola do fermento. Esse é assim a essência espiritual que transforma as coisas materiais, representadas pela farinha. Assim a personalidade é transformada, ou encontra o arrependimento (metanoia), passando pelas três medidas, ou seja, pelos corpos físico, emocional e mental. Em outros evangelhos, como em certos apócrifos (Pistis Sophia, Valentiano, Hino da Pérola etc) se fala em “vestes”, que é o mesmo que esses corpos ou medidas da parábola. Lembramos do ruah dos hebreus e de doutrinas do sopro, pneumáticas. Assim com o fermento se cresce até a plena consciência, a de Cristo.

Já na parábola do filho pródigo, há uma crença cristã essencial, que a do Retorno a Casa do Pai, que aqui se trata do Criador, e não de um simples senhor rico ou proprietário de muitas coisas materiais. Não se trata de teologia da prosperidade. Mas sim de um retorno ao modo espiritual mais elevado, essa consciência de Cristo, ou do Logos do universo. A herança se refere a poderes espirituais, e o país distante é o mundo da personalidade ou ego, que está mais centrada em Satanás, nos interesses a maldades desse mundo. Os porcos simbolizam as forças materiais grosseiras, os instintos e desejos baixos, que se faz pecar. As cascas são as vestes físicas ou materialistas que são temporárias. Voltar ao pai é pelo caminho do discipulado, superando a ilusão da separação e dualidade. Por fim encontra a unidade com o Pai, como Cristo que falou que é um com o Pai. A melhor veste se refere a um corpo glorioso, que não morre ou entra em decomposição. Uma veste de luz, descrita em outros texto místicos sobre Jesus. O anel dado a ele é um símbolo da eternidade, do ciclo. O irmão mais velho com raiva é o profano ou aquele velho eu do Ego (Satanás), sem o propósito espiritual. E como explica o Hino da Pérola: “Sem me lembrar de seu esplendor, pois a havia deixado na Casa de meu Pai na minha infância, ao vê-la, imediatamente a Veste pareceu-me como a imagem de mim mesmo”.

Sobre a parábola do negociante e as pérolas, este se explica no Hino da Pérola, escrito apócrifo que trata desse verdadeiro tesouro espiritual. Para tanto, simboliza a gnose ou conhecimento espiritual. Isso leva a se encontrar a veste de luz, e o campo simboliza o interior do homem. O livro do Hino da Pérola fala: “Apoderei-me, então, da pérola e parti em direção à casa de meu Pai. Retirei as vestimentas sujas e impuras, deixando-as em seu país de origem. Dirigi-me para o caminho pelo qual havia vindo, a estrada que leva à Luz de nossa casa, o Oriente”. E refere-se a esfera cabalística de Tiphereth, onde os seres de luz se misturam, e que gnósticos chama de determinado Eon. Essa gnose é um tesouro, e esse tesouro se refere a alma, a sua salvação. Não a acúmulo material dese mundo, e teologia da prosperidade. Por isso que Jesus falava para largar tudo e seguir, entregar todos os bens aos mendigos. Pois nada se compara ao tesouro espiritual e sua busca, a volta a casa do Pai e a consciência de Cristo. Já falamos que o Hino da Pérola é tão prestigiado, que se encontra no cano da Igreja Ortodoxa Cristã Etíope, que não aceitou concílios políticos da Igreja.

Já sobre a parábola dos talentos, devemos ter em conta não apenas aproveitar melhor o que Deus nos deu, como a sabedoria, que deveria ser usada para o Senhor e evitando qualquer pecado. O valor do talento, segundo Dake, é 79.220 dólares. Então não se refere a uma quantia pequena. O valor que Deus nos dá é assim muito grande, e representa muito trabalho. E quando o Senhor dá mais talentos, é sinal que já foram aproveitados em existências passadas, lembrando a doutrina de Gighul judaica. Por isso que os patriarcas ganham tanta importância, e que sua boa obra é sempre lembrada. A oportunidade que temos em uma vida e não aproveitamos, a exemplo do servo que recebeu um talento e enterrou, mostra que trabalhamos contra nós mesmos e contra a nossa alma. E a riqueza para o Senhor é a espiritual, aquela dos santos e justos. Pois a quem muito é dado, muito será cobrado. As lições de Jesus se repetem em vários escritos e evangelhos, nesse sentido. Assim, o discípulo que tem muitas virtudes, deve retornar mais ao Senhor. Assim seguir o caminho espiritual que leva a vida uma com o Pai, no retorno a Sua casa.

 

 

Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 13/04/2014
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