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Orígenes nasceu em Alexandria, no ano de 183, filho de um cristão que se tornou mártir, Leonídio. Teve ainda os bens da família penhorados, de modo que teve de ensinar para ganhar a vida, assumindo a escola de catequese. Depois, não simpatizando com bispo Demétrio, teve de ir a Cesareia, na Palestina, onde foi ainda preso e torturado. Diferente do pensamento de Clemente, que já falamos, o dele se concentrava no tema da Trindade. Mas observando os ensinamentos se percebe um grande misticismo e entende Deus como incorporal. Porém além disso, vê na experiência do corpo do homem uma espécie de purgação, assim positiva, e não negativa como entendiam os neoplatônicos e gnósticos. Fala até em reencarnação para a purificação dos espíritos, numa doutrina de apocatástase. Também que a Escritura pode ser lida em três níveis de interpretação. Que nosso mundo ou universo não é o primeiro, mas um de uma série. Isso parece entrar em sintonia com doutrinas onde há um processo de emanações. Faz em muito uma conexão do cristianismo com o helenismo. Apesar da não ampla aceitação do neoplatonismo, não há de se negar a sua influência em Orígenes. Também se coloca de grande importância a sua grande valorização do Espírito Santo, o que antes não era muito difundido. Parece que a cultura ocidental acaba mesmo entendendo Deus como um princípio imaterial, e o homem sendo mesmo um ser que progride através de seu veículo corporal, numa purificação. Pela passagem em muitos mundos em reencarnações, a almas se purificarão e poderão retornar a Deus. Mesmo pelo pecado de Adão, há a compensação da paixão de Cristo, o Novo Adão. Desse modo o corpo acaba mesmo assim ainda sendo o centro da atenção. A sabedoria de Deus, segundo Orígenes estaria na segunda pessoa da Trindade, ou no Filho. E nessa sabedoria estaria em ideia já toda a criatura. Por isso da herança platônica em seu pensamento. E mais, uma concepção mística, senão até iniciática de certos aspectos e conceitos. Pelo que selecionou Tomás em sua Suma Teológica, resta essa característica sobre algumas questões e temas.Assim fala em De Principiis: “As seis talhas de pedra, por conseguinte, se referem aos que, colocados neste mundo, buscam a purificação. De fato, lemos ter-se consumado em seis dias, que é número perfeito, este mundo e tudo o que nele existe. A multidão de todos os fiéis testemunha quanta utilidade há neste primeiro entendimento que chamamos de histórico, o qual pode ser suficientemente crido com fidelidade e simplicidade sem necessidade de muitas explicações, conforme é bastante evidente para todos” (L2, C12). Refere-se a Jo 2:6. E fala ainda sobre um aspecto oculto da Providência: “É coisa certa que tudo o que está ou se faz neste mundo é dispensado pela providência divina. Algumas, porém, manifestam de modo bastante evidente serem governadas pela providência, enquanto que outras têm uma explicação tão oculta e tão incompreensível que nelas a razão da divina providência é nos inteiramente oculta, e de tal modo que às vezes alguns nem crêem que pertençam à providência. A razão pela qual, por uma inefável arte, a obra da divina providência é dispensada, permanece escondida; esta razão, todavia, não está igualmente oculta para todos” (L1, C7). Esse quase ocultismo se revela perplexo, e talvez por isso Orígenes tenha sido debatido até época de Justiniano e até depois, em concílios. Fato é que Orígenes frequentou a escola de Amônio Sacas, do neoplatonismo. E falou em tom místico: “Se, portanto, há algumas almas neste mundo que são chamadas de Israel, e no céu há uma cidade que é chamada de Jerusalém, seguir-se-á que estas cidades que são ditas do povo de Israel tenham como metrópole a Jerusalém celeste e que deste modo também entendamos de toda Judá. É delas que consideramos que os profetas falaram quando, através de místicas narrativas, profetizaram algo da Judéia ou de Jerusalém, ou quando algumas santas histórias relatam ter acontecido este ou aquele gênero de invasão na Judéia ou em Jerusalém)” (L3, C7). E falou que toda a criatura pelo libre arbítrio por escolher entre o bem e o mal, exceto a alma de Cristo, por causa da união com o Verbo. Sua obra mais importante talvez seja Os Princípios, além de Contra Celso e um Comentário a João. E também fala na característica de Deus não poder ser conhecido. E que Deus não começou a criar nesse mundo, material, mas que já havia feito antes. Isso em muito acaba por de alguma forma reafirmar a doutrina da queda, que algo foi criado perfeito e depois se corrompeu, e de uma certa separação do homem e de Deus, pelo pecado. Morreu em 231 por resultado das torturas que recebeu na prisão da Palestina.

 
Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 30/09/2015


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