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TOMASO CAMPANELLA (1568-1639)
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Giovanni Domenico Campanella, também conhecido por pseudônimo Sentimontano Squilla, nasceu em 5 de Setembro de 1568, filho de Gerônimo Campanella e de Caterina, em Stignano, Condado de Stilo, Calábria, Itália. Foi um filósofo, poeta e teólogo. Ainda jovem entra para a Ordem Dominicana, em 1582, onde adota o nome Tomaso, em homenagem a Tomás de Aquino. Mas no convento de Stilo ele estuda filosofia. Em 1590 publica livro “A Filosofia demonstrada pelos sentidos”, o que lhe rende um processo junto a sua Ordem. Desobedece a sentença e se torna um fugitivo, indo a Roma, Florença e Pádua. Cursando medicina, ele apenas o faz disfarçado de estudante espanhol. Preso pela Inquisição ainda por escrever obra “Discursos universais sobre o governo eclesiástico”, ficando detido por dois anos. Retornando a Stilo, acha-se injustiçado e acaba armando uma conspiração, mas é traído por parceiros, e assim preso novamente, e agora ameaçado por uma pena de morte. Escapa da morte se fingindo de louco, mas mesmo assim é condenado a prisão perpétua. Em cinco processo sofre assim. Fica 27 anos preso, lá escrevendo suas obras. Então, se a intenção era condenar Campanella por ter escrito coisas proibidas e defender livre pensamento, não funcionou muito o deixar detido. Influenciado em especial por Telésio. Mas escreve apologia a Galileu, ademais. Interessante é sua ligação com a magia, astrologia e conhecimentos congêneres. Fala da astrologia como ciência, na sua obra mais famosa, A Cidade do Sol. Obra que se parece a República de Platão, bem como com Utopia de Morus, ou ainda a Nova Atlântida de Francis Bacon. Mas há quem diga que a relação a Francis Bacon, que dizem ser autor dos manifestos da Ordem Rosacruz, que geralmente é atribuída apenas a Valentim Andrea, e de uma influência semelhante a obra Cidade do Sol, em sua doutrina. Assim nos revelou Faivre: “Tommaso Campanella ispiratore delle iniziative di Andreae. La Città del sole. Fonti dei manifesti. Pensatori a difesa dei Rosacroce, concezioni filosofiche da essi espresse. Apogeo dell'alchimia e influenza delle idee rosacrociane in Inghilterra”1 Então influi o rosacrucianismo de algum modo inspirou Valentin Andrea, sendo ele um dos autores desses manifestos rosacruzes, como o Fama Fraternitatis. Assim ele é um filho do seu tempo, tratando de magia, astrologia, alquimia etc. Por isso acusado de heresia, mais pelas ciências de seu tempo, que eram mal compreendidas. Assim lembrou Rossi: “ También Campanella —a quien la magia le parece la dominadora de las ciencias precisamente por su carácter de actividad práctica y transformadora de la naturaleza— insistirá en los deberes de una magia que «imita la naturaleza ayudándola con el arte». Pero aquello que en principio, cuando las causas se desconocen, parece magia, se convierte después en «ciencia vulgar». Por esta razón los hombres han considerado obra de magos la invención de la pólvora, la brújula o el arte de la imprenta”2 Assim falava em sua obra “Sobre o senso da coisa e a magia”. Logo, a magia é a dominadora das ciências, e depois o que era magia, se torna uma ciência vulgar. Muito antes de ser descoberta, possivelmente já existia a eletricidade, o magnetismo, a astronomia, e tantas outras coisas e ciências, que depois foram “descobertas” por cientistas, mas que pareciam já ser conhecidas dos magos antigos. Campanella, assim como Pico della Miràndolla, parece ver nessa magia algo totalmente comum, nesse sentido, e ligado a essa ciência. Pico vai mais longe, para dizer que a magia é cristã. Mas quais eram os crimes de Campanella? Defender doutrinas como a de Demócrito, de ter feito um poema contra Cristo, mas que na verdade era de Aretino, e de ter escrito uma obra “Dos três impostores: Moisés, Jesus e Mohamed”, que também não se sabe paradeiro. Já na sua primeira obra, por ser livre pensador, foi acusado de heresia e demonismo. Falou que nasceu para vencer os três males extremos: a tirania, os sofismas e a hipocrisia. Apesar de ser sua obra mais famosa “A Cidade do Sol”, a mais importante segundo alguns foi “A Metafísica”. Fato é que ele esteve preso e fugindo de perseguições, ainda fazendo as suas próprias, por conspirações. Mas escreveu uma grande quantidade de obras, alguma até sobre medicina, e muitas não divulgadas. Falece com 70 anos, em 21 de Maio de 1639.

1FAIVRE, Antoine. L' Esoterismo Cristiano. p. 36
2ROSSI, Paolo. Francis Bacon: de la magia a la ciência. p.71
Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 17/04/2016


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