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ÉTIENNE BONOT DE CONDILLAC (1715-1780)

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Etienne Bonnot nasceu em 30 de setembro de 1714, em Grenoble, França, sendo filho de Gabriel Bonnot, Visconde de Mably, e era assim de família abastada. Quando completaria 13 anos, seu pai faleceria, e assim foi mandado pelo tio a estudar em colégio de jesuítas, em Lião. Seu irmão Gabriel Bonnot de Mably foi junto a ele estudar nesse colégio. Já em 1733, para prosseguir os estudos, foi para o seminário de Saint-Sulpice, Paris, se ordenando padre em 1740, mas sem muito entusiasmo. Aos poucos foi largando a teologia para estudar filosofia. Um fator forte nesse sentido foi ele ser primo de d'Alembert, o qual lhe impulsionou nesse estudo de filosofia. Ficou ainda amigo de Rousseau, Voltaire e Fontenelle, bem como Diderot. Escreveu em sua obra 'Dissertação sobre a existência de Deus' entendendo pela ordem do universo e sua finalidade como prova da existência de Deus. Mas Condillac não é bem o que se pode chamar de um crente. Ele era sensualista e materialista, e além de se inspirar e quase seguir o empirismo de Locke, ele corrigiu esse e o levou a certo extremo. Entende que das sensações que nasce todo o sistema do homem. Disse que é preciso educar os sentidos do homem. Sensações assim agradáveis ou desagradáveis, que se tornam foco de interesse. Para ele a metafísica não era muito o interesse, e nem os princípios abstratos, os quais entendia inúteis e perigosos. Assim acaba criticando Descartes e outros, como Leibniz e mesmo Espinoza. A educação baseada nessas abstrações levou antes a noções vagas e difíceis de abandonar. Condillac também influencia a química moderna, haja vista Lavoisier o reconhecer. Também ele é relacionado ao começo da economia, ou ciência econômica, se situando entre um dos fundadores da teoria subjetivista do valor. O valor da mercadoria depende do seu grau de utilidade. Em 1767 ele recebe a Abadia de Mureau e em 1768 é eleito membro da Academia Francesa. Já em 1776 é eleito membro da Sociedade Real de Agricultura de Orleans e publica sua obra sobre comércio. Para ele a ciência é uma língua bem feita. Fala também da filosofia como um certo jargão. Disse em sua obra 'Lógica ou os primeiros desenvolvimentos da arte de pensar': “A verdade é, então, difícil de reconhecer entre tantos sistemas monstruosos, que se conservaram pelas causas que os produziram, isto é, pelas superstições, pelos governos e pela má filosofia”. Também que “São os filósofos que conduziram as coisas a este estado de desordem. Quanto pior falavam, mais queriam falar: falavam tão mal que, quando lhes acontecia de pensar como todos, cada um queria ostentar uma maneira de pensar que fosse somente sua. Sutis, singulares, visionários, ininteligíveis, frequentemente pareciam temer de não ser demasiado obscuros e ocultavam seus conhecimentos verdadeiros ou pretensos. Assim a linguagem da filosofia foi um jargão durante séculos”. Parece que nisso também antecipou a filosofia da linguagem. Ademais, sobre a metafísica disse que os sistemas metafísicos fizeram acumular erros sem número. Contra isso defende a sensação. Desta feita, memória não seria mais que uma sensação registrada, uma sensação transformada. A sensação torna-se atenção, comparação e juízo. O conhecimento é sensação transformada. Usa ainda a analogia da estátua de mármore que ganha sentidos, em primeiro lugar o olfato. Mas nem tudo em Condillac era materialismo, sensualismo ou empirismo. Seus amigos de algum modo se ligavam a misticismo, ou a um aspecto revolucionário e conspirador. Uma revista cita Prioult falando de Balzac e influência de Condillac, no tom de misticismo. “Un trabajo muy esmerado es el libro que se intitula “Sténie, ou les Erreurs Philosophiques”, cuyo autor es un buen balzaciano, el Sr. A. Prioult. Por “Sténie”, pasan una serie de apuntes donde se comenta a Descartes, a Malebranche, a Locke, a Condillac y más de una cita a Leibnitz, Kant, Fichte. 'Dejà, il s’est intéressé aux sciences naturelles, á la physiologie et méme se montre curieux d’occultisme, de mysticisme, de nouveautés en tous genres', dice Prioult”1. E como lembrou Hagger: “Rousseau, Diderot e o filósofo Condillac almoçavam juntos com frequência no Panier Fleuri em Paris. Os Philosophes de Diderot eram todos maçons”2. O rosacruz-sionista Locke, como o chama Hagger, fez escola. Desse modo Condillac colaboraria numa obra iluminista, ou depois illuminati, que seria sem precedentes. Continuaria movimentos mais antigos, como o Priorado e os Templários. A filosofia era uma reação ideológica contra aqueles que teriam acabado com a Ordem. Falaceu em Flux, em 3 de Agosto de 1780.
 
1LA INICIACION, n. 15, julho de de 1943.
2HAGGER, Nicholas. A História Secreta do Ocidente. p. 212.
Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 26/05/2016
Alterado em 26/05/2016


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