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RAIMUNDO LULIO
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Raimundo Lulio, ou Lulli, nasceu em Palma de Maiorca, Tunis, em 25 de Janeiro 1232, filho de Ramon Amat Llull e Isabel d'Erill, estes de importante família de Barcelona, sendo casado com dois filhos, e ainda seguindo religião árabe. O lugar onde nasceu era encruzilhada de três culturas: cristã, judaica e árabe. Depois se converte em monge franciscano e também acaba indo a cruzadas. Foi discípulo do médico, alquimista e astrólogo Arnaldo Vilanova, e assim chamado de Doctor Illuminatus. Lulio foi assim um iluminado, talvez em toda a sua amplitude de significado. Ele foi filósofo, místico e novelista, de modo que pioneiro a escrever em catalão sobre temas filosóficos. Conhecido como o árabe cristão. Antes de se casar foi pagem na corte de rei Jaime I. Depois senescal e mordomo. Na vida da corte aproveitou os prazeres do mundo, curtindo romances e inclusive adultérios declarados. Nesse período suas obras se resumem a canções de amor e de trovador. Porém aos 30 anos teve cinco visões de Cristo, em cinco noites consecutivas, de modo que deseja abandonar a vida mundana e se dedicar a missão ao Salvador. Dedica-se assim por nove anos em estudo de teologia e compra um escravo muçulmano, de quem aprende a língua árabe. Depois efetua um retiro espiritual no Monte Randa, em uma caverna e ainda se torna monge cisterciense, aprendendo latim, filosofia e gramática, tanto de conhecimentos católicos, quanto islâmicos. Escreve a Ars Demonstrativa, obra da qual rende algum dinheiro, e assim investe em monastério com fim de converter árabes ao cristianismo. Encanta o Papa João XXI, e assim faz uma espécie de cruzada pessoal, sem muito apoio nessa empresa, do Papa. Passa para tanto a viajar e a escrever muitas obras, trafegando por Alemanha, França, Itália, Terra Santa, Ásia Menor e Magreb. Em 1286 recebeu o título de Magister na Universidade de Paris, depois viajando a Roma com seus projetos de reforma da Igreja, mas sem muito resultado. Tenta novamente uma cruzada na terra santa. Depois passa a ser monge franciscano, mais especificamente na Ordem Terceira, os Irmão e irmãs penitentes. Então em Maiorca, Jaime II o autoriza a predicar nos templos não cristãos, defendendo suas ideias. Elabora também uma unificação de ordens militares sobre um único governante. A proposta principal era a unificação de Templários, Hospitalários, Teutônicos y cavaleiros de ordens peninsulares sob mando único. Parecia que Lulio queria fundar um Grande Oriente ou uma Fundação de ordens, assim como tentaria Papus mais tarde com a FUDOSI. Fato é que ele queria missionários que conhecessem também a língua árabe. Com Papa Clemente V esse projeto de unificação de ordens militares (e místicas) teve apoio. Foi depois para o norte da África, mas corre risco de vida lá com muçulmanos. Fato que esteve em um navio que naufragou, mas foi um dos poucos sobreviventes. Mas depois os Templários foram perseguidos por rei Felipe O Belo, e talvez os planos de Lulio não poderiam se concretizar. A reforma acabou ficando mais com protestantes e o tema das ordens fica a cargo da Maçonaria, que de algum modo simbólico continua a obra templária e se vinga combatendo poderes tirânicos e absolutistas. Uns dizem que Lulio teria votado em concílio para a fogueira dos templários, mas não há prova desse voto por escrito. Certamente como estavam em seu projeto, ele devia ter boa impressão dessa ordem, e não votaria pela fogueira. Seus projetos de se ensinar a língua hebraica e o árabe foram aceitos, mas a de nova cruzada, não. Contra a opinião de Tomás de Aquino, ele insiste na doutrina da Imaculada Concepção de Maria. Também era seguidor de Roger Bacon e São Boaventura. Dizem que utilizou um dispositivo astrológico árabe chamado zairja para escrever. Foi beato da Igreja Católica, mas nunca canonizado, porque depois combatido por Papas. Disse que há escalas místicas que determinam as escalas do conhecimento. Dizem também que teve relação com doutrinas alquímicas e mesmo místicas de albigenses e seitas de cátaros. Ramon Llull morreu em 29 de junho de 1315, quando regressava de viagem de Túnez até Mallorca. Falaram uns que linchado por muçulmanos. Está enterrado na Igreja do Convento de São Francisco de Palma de Mallorca.
Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 18/06/2016
Alterado em 18/06/2016


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