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PIERRE GASSENDI (1592-1655)
 
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Pierre Gassendi nasceu em 22 de Janeiro de 1592, em Champtercier, Paris, França, de pais pobres, sendo cientista, matemático e filósofo, logo cedo entrando para o clero, e com dezesseis anos obtendo cadeira de retórica em Digne, estudando em Universidade de Aix, sendo Cônego e depois Preboste em Dijon. Depois foi docente da Universidade de Aix. Passa a viajar para a Holanda e Flandres, mas permanece sobretudo na França, onde é nomeado professor de matemática do Colégio Real de Paris. Também foi um astrônomo contemporâneo de Galileu, e assim estudou sobre o movimento dos cometas, eclipse lunar, marcha do Sol, sendo o primeiro a descrever cientificamente a aurora boreal. Sua filosofia se envolve de um ceticismo e empirismo, se baseando em Epicuro e mesmo no atomismo, indo em sentido contrário aos escolásticos e a Descartes. Contemporâneo de Francis Bacon, parece de certo modo adotar um sistema parecido, ao buscar mais a experiência e menos a metafísica, criticando principalmente aquele “Deus que caiu do céu”, ou seja, Aristóteles, e seus admiradores, os escolásticos, que dizia se fundarem mais em oratória e verbosidade. Escreveu Exercitações contra os aristotélicos, e estava sobretudo defendendo a religião. Disse que o método aristotélico inventou embustes, tendo uma noção de natureza que nada tem a ver com a natureza que está fora de si. A escolástica seria uma pseudociência. Dizia assim Gassendi que todo o conhecimento em nós deriva dos sentidos. Deste modo, começa o empirismo e depois ilumina Locke, que aproveita muito desse autor. Disse que escolásticos causavam danos tanto para a fé, quanto para a ciência. Isso porque se colocava a razão em coisas de fé, em coisas reveladas. Nisso que ele trata o embate com Descartes também, haja vista o inatismo na filosofia do cartésio. Disse que não seria possível conhecer a coisa em si. E que não há ideias inatas, contrariamente a Descartes. Ele ironizava o cartesiano dizendo ser mens! (ó mente!) e Descartes o chamava de caro! (ó carne!). Para Gassendi, Deus não surgiria do cogito, mas sim de uma reflexão sobre a Criação e sobre o sobrenatural. Dizem que foi ele que participou da experiência da pedra soltada do mastro do navio para confirmar a previsão de Galileu. Também ele chegou a com uma luneta observar Mercúrio. Também escreveu a biografia de Coérnico. Mas estranhamente também se opõe a teoria de circulação de Harvey. Mas sua crítica maior foi contra os escolásticos, dizendo que não sabiam nada, que sua razão estava aprisionada e que a razão para eles era preguiçosa. Disse que sua liberdade estava entre grades. Assim como Locke, ele se dedicou a estudar esoterismo, como lembra Hagger1: “(Locke) Estudou relatos da Inquisição sobre os cátaros e conheceu a Duquesa de Guise. (O rosa-cruz Fludd, cabe lembrar, trabalhou para o Duque de Guise de 1602 a 1620.). Todas essas atividades parecem ter sido inspiradas por Boyle e pelo Priorado de Sião. Na França, Locke conheceu o líder da Escola Gassendista de Filosofia, François Bernier. Pierre Gassendi mantinha que o conhecimento do mundo externo depende dos sentidos, uma visão que Locke viria a adotar”. Também ele dedica uma obra para Robert Fludd, um dos fundadores do rosacrucianismo, apesar de escrever contra e se opor ao ocultismo e esoterismo. Segundo Sédir2: “El fisico Gassendi habria querido entrar con los hermanos, pero luego dudó de su existencia. La polémica que Robert Fludd, el famoso defensor de los Rosacruces, sostuvo contra el y contra el padre Mersenne, contribuyó bastante a hacer impopular en Francia el nombre de estos hermetistas, e incluso a que fueran olvidados. Ese lucha, que no siempre fue cortés, terminó en 1633”. Mas se estava em sintonia com Francis Bacon no método, e mesmo contra escolásticos, a cara de Gassendi era mais de acordo com a linha Rosacruz, que de acordo com uma linha religiosa ou tradicional. Ele faz uma harmonia entre doutrinas antes opostas, como hedonismo, empirismo, ceticismo, cristianismo, humanismo, libertinismo etc etc, que fez dele alguém nada comum. Parece um tanto semear algo que se tornaria o iluminismo. Pode ser que ele fosse mais da linha revolucionária do esoterismo, diferente da linha dourada, que estava mais em sintonia com cabala, hermetismo e com o Fludd que ele criticou. Fato é que Gassendi tem importância no pensamento filosófico e que é pouco estudado em Universidades. Faleceu em 24 de Outubro de 1655.
1HAGER, Nicholas. A História Secreta do Ocidente. p. 132.
2SÉDIR. Historia y doctrina de la Rosa-Cruz. p . 97.
Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 29/06/2016


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