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ÉDOUARD CLAPARÈDE (1873-1940)
 
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Édouard Claparède nasceu em 24 de março de 1873, em Genebra, na Suíça, de uma família tradicional calvinista, orunda de uma linhagem de pastores languedocianos, e foi um neurologista e psicólogo de desenvolvimento. Um dos mais expoentes na área da psicologia funcionalista, e influenciou a pedagogia. Passou a maior parte de sua vida em Genebra. Mas estudou Medicina e Psicologia na Alemanha, França e Suíça, e depois veio a ser professor na Universidade de Genebra, estudando psicologia infantil e memória. Também estudou e pesquisou na área de neuro-psicologia, se dedicando a área do sono. Também estudou a histeria, mas essa pela interferência de um contato sensorial. Sua corrente de pensamento era pragmatista. Trata de processos mentais agarrados pela consciência, e que os processos mentais não surgem na consciência, mas se assemelham a instintos, mesmo sem consciência. Na França conheceu Alfred Binet, um dos principais criadores de testes de inteligência. Seus estudos influenciaram Freud. Em 1905 lançou a obra “Psicologia da Criança e Pedagogia Elemental”, que teve grande fama. Em 1912 fundou o Instituto Jean-Jaques Rousseau, hoje Instituto de Ciências da Educação, para estudo de psicologia infantil. Seu trabalho foi continuado por Piaget. Sua principal preocupação foi de conseguir uma escola ativa, onde a necessidade primeira era o interesse da criança. Trabalhou-se então com a observação das crianças. O pretestantismo dele é mais de linha liberal, do que ortodoxo ou mesmo místico. Seu tio também se chamava Édouard Claparède, e era zoólogo admirado e darwinista, e parece ter ficado essa influência no psicólogo. A atenção as ciências da natureza ficou. Além de psicólogo escreveu algo sobre moral, sendo quase um moralista. Também tartava da questão social. Dizia que a ciência é neutra. Escreveu inclusive Morale et politique. Mas escreveu muito, e muito mesmo, mais de 600 publicações entre 1892 e 1940. O humano é uma realidade viva que funciona. Mas não muito concilia a teoria com a prática. Piaget, que tanta fama tem, usou muita coisa de Claparède. Há no desenvolvimento uma necessidade ou objetivo. Conceitos como adaptação, assimilação, acomodação e ainda aplicação, usados por Piaget, vêm dele. E seu pénsamento aparenta a nossa reforma do Ensino Médio, com opções dos alunos respeitadas e certo aspecto profissional. Como cita Hameline1: “Claparède acolhera com profunda alegria a experiência tentada, ao fim da última guerra, no ensino secundário francês. Nas classes chamadas novas, foi eficientemente realizado o sistema das opções. Ao redor de um tronco comum (matérias indispensáveis), são organizados complementos muito variados, sob forma de ensino – em particular diversas técnicas de trabalho manual – a fim de que os alunos fiquem em condições de tomar consciência de suas aptidões e de seus interesses. Pais e professores, então, podem decidir, com mais segurança, a orientação dos estudos”. Os interesses dos alunos se mostram apenas recentemente importantes, nessa opção por áreas de estudo. Claparède já ensinou isso há algum tempo. Faleceu em Genebra, no dia 29 de Setembro de 1940.
 
1HAMELINE, Daniel. Édouard Claparède. Coleção Educadores. p. 131.
Mariano Soltys
Enviado por Mariano Soltys em 05/03/2017


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